Chefes de vários departamentos a RedeTV informaram a seus funcionários que a emissora "foi obrigada" a tomar uma medida radical e que irá cortar por volta de 30% dos ganhos de jornalistas, radialistas (produtores) e outros cargos, como cinegrafistas.

A emissora não considera esses 30% como salário, mas horas extras. E, como tal, podem ser cortadas, a despeito de estarem sendo pagas há décadas. A estimativa é que mais de 200 pessoas serão afetadas, entre os que trabalham na TV e no site da emissora.

Em comunicado oficial, a emissora disse que tomou a medida para se "readequar à realidade do mercado" (leia texto mais abaixo).

A justificativa dada até o momento é que a redução de salários será feita por causa da queda de merchans e publicidade, da menor locação de horário para igrejas e, supostamente, para evitar futuras demissões.

No caso de jornalistas, pela legislação eles recebem por cinco horas e mais duas são consideradas "extras". Essas duas horas serão cortadas. Segundo advogados consultados pela direção da emissora, não há ilegalidade na "eliminação" dessas horas.

O cálculo, segundo funcionários ouvidos na manhã desta segunda-feira, é que em alguns casos haverá redução de até 40% nos ganhos. Em muitos casos o jornalista vai passar a ganhar pouco mais de R$ 2 mil mensais brutos.

Pela redação, segundo a coluna apurou, o clima é de perplexidade e revolta.

Muitas pessoas, que já estão endividadas, estão chorando nesta segunda-feira e não sabem como farão pagar as contas no próximo mês.

Isso porque, embora ainda não tenha sido feito nenhum anúncio oficial, todos já foram avisados que o próximo contracheque virá menor.

Chefes e editores ainda não confusos e não sabem se e como poderão produzir reportagens completas com essa limitação de horário de trabalho nas equipes.

Os maiores salários da casa, no entanto, de apresentadores e apresentadoras, de diretores e outros que recebem via PJ (pessoa jurídica) não terão seus ganhos afetados. Por enquanto.

Em menos de duas semanas, a RedeTV já é a terceira emissora aberta a anunciar cortes em suas equipes. Na semana passada houve cortes no SBT e também na Globo.

Pró-governo:

A RedeTV tem sido , ao lado de Record e SBT, uma das emissoras mais alinhadas e elogiosas ao governo Jair Bolsonaro. A coluna apurou que, em várias reuniões internas, chefes reafirmam aos repórteres a necessidade de pautas que sejam positivas ao governo federal. 

No passado, as verbas publicitárias federais chegaram a representar até 8% das receitas da RedeTV. Hoje esse índice não chega a 6%.

Outro lado

Procurada, a RedeTV! informou oficialmente "que está readequando as horas extras com o objetivo de equalizar o orçamento à atual realidade do mercado, que encontra-se em retração, de modo a reduzir o impacto no quadro de colaboradores da emissora".


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